Ao Deputado Eduardo Bolsonaro

O Estadão hoje dia 28/11/18 dedica meia página dando destaque às declarações do Dep. Eduardo Bolsonaro em Washington sobre a mudança da embaixada do Brasil em Israel.

Textualmente “A questão não é perguntar “se vai”, a questão é perguntar quando será (a mudança da embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém.” E mais: “eu acredito que a política no oriente médio já mudou bastante também. A maioria ali é sunita e eles vêm com grande perigo o Irã. Quem
sabe apoiando políticas para frear o Irã que quer dominar aquela região a gente não consiga um apoio desses países árabes, afirmou Eduardo Bolsonaro.”

Certamente o Deputado pensa estar ajudando seu pai, agora eleito para Presidente, que disse durante a campanha que a embaixada do Brasil em Israel deveria ir para Jerusalém. Como foi duramente criticado disse que não era ainda uma decisão.

Aí vem Você dar a decisão por ele. Quanta imaturidade! Você já leu a primeira página da Constituição? Lá estão detalhados os princípios que devem nortear a Política Externa Brasileira. A Constituinte de seus pares decidiu ratificar esses princípios utilizados pela República desde que existiu com o maior sucesso executivo, razão do Brasil ser respeitado pelo mundo como um país neutro, independente e laico, aceitando todas as religiões.

O Governo dos EUA vêm dando total apoio ao Estado de Israel devido ao suporte dado pelos judeus ricos ali residentes. Trump, político, para ser eleito, prometeu transferir a embaixada para Jerusalém. Com isso ganhou votos e verbas para eleição. Foi eleito e garantiu que transferirá a embaixada. Toma lá dá cá.

Jerusalém é uma zona conflagrada, em guerra não-declarada há 50 anos sem a menor perspectiva de acordo. A ONU não reconhece Jerusalém como a capital. Irritou os árabes e já recebeu a primeira retaliação – a matança em sinagoga em seu território. Você quer criar condições para o terrorismo também vir para cá?

O Brasil tinha, há 30 anos atrás, cerca de um milhão de descendentes de árabes e igual número de judeus. Apesar da guerra solta por lá, aqui nunca houve qualquer distúrbio nem nunca foram sequer discriminados entre si. E seu pai, além de jurar cumprir a Constituição, ainda vai jurar promover o bem
estar do povo brasileiro. São cidadãos, vivem na sociedade e votaram. Agora seu pai representa a todos.

Além disso a Constituição manda que respeite a soberania dos povos e a não intervenção. Ele foi capitão do Exército e militar não comete crime de perjúrio. Juramento é para valer. Quem disse a V. que o Irã quer dominar aquela região? Certamente os EUA porque são eles que sempre dominaram aquela região e esse poder de submeter qualquer povo hoje desapareceu.

Tiveram de sair do Iraque e nem a Rússia em 5 anos, nem eles em mais 5, conseguiram submeter o
Afeganistão.

Nas suas declarações, Você ainda menciona tomar parte da luta pelo poder dos chefes religiosos sunitas e xiitas? E a maioria dos países árabes não é comandada por chefias religiosas? Que tipo de apoio V. espera desses países?

O Brasil não precisa de nenhum apoio externo porque seus problemas econômicos foram exclusivamente aqui produzidos e é aí que os brasileiros devem concentrar suas competências e experiência para resolvê-los. Eles simplesmente fazem parte do mercado mundial e o que compram aqui é por transações puramente comerciais fora da alçada do governo.

Trump, como todo político, prometeu sair do acordo de Paris para ganhar os votos do pessoal do carvão e suas centrais elétricas, as maiores poluidoras do planeta que querem continuar faturando. E o meio ambiente que se dane. Toma lá dá cá. Você conhece esse modus vivendi dos políticos.

O mesmo acontece com os judeus. Em que o Trump pode ajudar o Brasil? Podem levar vantagem pois são bons negociadores e aqui a maioria é idiota e além disso pode ser comprada para facilitar os procedimentos.

O acordo de Paris não é um acordo sujeito a política. Foi assinado pelos representantes do pais e ratificado pelo Congresso. Um pais sério mantém contratos. O Temer agora, ao ratificar o acordo, não fez nada mais que a sua obrigação: ratificar o contrato que foi aprovado pelos representantes do Povo no Congresso.

Não me leve a mal, eu poderia ser o seu avô, e posso lhe garantir que ainda tem muito para aprender no que acontece nesse mundo. A maioria dos ensinamentos não está nos livros, mas na vivência das povos. Exceto o que manda a Constituição: coisa que pouca gente lê e que os governos não cumprem, prejudicando o país.

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