A especulação com a Embraer

Alguém soube das negociações da Embraer com os concorrentes do mercado internacional.

Especuladores, num mercado desconhecido da sociedade, jogaram no ar a notícia de que a Embraer estava em negociações podendo ser vendida à Boeing. Faturaram alto. As ações valorizaram cerca de 25%. Logo que a verdade foi fluindo e foi divulgada, a tendência das ações foi voltar para seu valor de mercado. A Empresa nem se manifestou sobre o assunto. Só tem que dar satisfações aos seus donos, os possuidores das suas ações.

A Embraer já foi uma Empresa Estatal criada pela Aeronáutica para continuar o desenvolvimento desse setor industrial no país. Começou com a criação do ITA, escola de engenharia com padrões de primeiro mundo. Foi construído um Centro de Tecnologia e de Testes de Materiais capaz de atender às necessidades da Indústria Aeronáutica, também dos mais avançados do mundo. Somente depois desses fundamentos instalados e funcionando, foi criada a EMBRAER, como Sociedade Anônima.

A ajuda do governo brasileiro foi colocar pedidos de aviões que foram sendo desenvolvidos e fornecidos ao mercado tanto civil como militar. O Ministério da Aeronáutica monitorou sempre de perto a operação da empresa, mantendo as equipes de projeto e a fabricação com encomendas impedindo descontinuidades. Seguiu os passos das ações do Presidente De Gaulle, da França, criando a Aeroespaciale com encomendas do governo para seus aviões de combate e civis domésticos, o que foi crescendo e em quarenta anos, chegou ao tamanho da Boeing.

Logo ficou evidente que o mercado brasileiro não era suficiente para manter pedidos de fornecimento à empresa. A solução seria abrir e fornecer para o mercado externo. Foi decidido que seria aberto o capital da Empresa e o governo brasileiro vendeu quase todas as suas ações, ficando só com 5% adquiridas pelo BNDES. Sempre monitorando a Embraer, a Aeronáutica, ao transformá-la em Sociedade Anônima, vendeu todo o capital, mas conservou uma única golden share com o poder de monitorar o projeto de aviões e acordos militares, a oferta pública de ações e venda dessa golden share (ação dourada).

Dona Miriam Leitão, em artigo no O Globo admite que, como empresa privada, a Embraer “DEVERIA” estar livre para tomar decisões que fossem melhores da perspectiva de seus acionistas. “Deveria”, não. Ela ESTÁ inteiramente livre para negociações respeitado o acordo de acionistas no lançamento das ações.

O “porém” dela ter se beneficiado de dinheiro público até ser vendida não faz sentido nenhum, porque o governo vendeu ao mercado todo seu ativo.

Qual seria a ideia? Cobrar um dízimo da Embraer? Vendê-la de novo? Os sindicatos já publicaram no jornal que vão pressionar para que a empresa seja estatizada de novo. Nenhum sindicato representa os operários. A governança da Embraer colocou no seu Conselho dois empregados da companhia pois eles representam o seu maior ativo.

Os aviões da Embraer são excelentes, tanto de projeto como de qualidade, são um destaque no mundo – exatamente a razão de seu sucesso – mas a comercialização é difícil pela concorrência, na qual entra de tudo – política, propina, financiamento favorecido, prazo de entrega, negociações como essa são “pura guerra” mercadológica, e a Empresa tem sabido se posicionar. Por favor, economistas de araque, evitem palpites para não perturbar quem sabe trabalhar.

A Embraer acaba de concluir o projeto do novo Jato Cargueiro para substituir os Hercules Turbo-hélices que já têm 40 anos e são utilizados pelo mundo todo. O novo aparelho deve começar a voar em janeiro de 2018. Para atender a um contrato com a Aeronáutica, serão destinados 25 desses novos aviões. O mercado desses aviões é tão disseminado mundialmente que talvez o fato da Embraer estar negociando com a Boeing pode até ajudar na comercialização ou na produção dos novos aparelhos. Entretanto, só quem tem a ver com isso são seus acionistas.

Se tivesse sido feito com a Petrobras o que fizeram com a Embraer, a primeira não teria sido quase destruída pelo governo PT/PMDB.

O Temer diz que “capital estrangeiro na Embraer é muito bem recebido”. Santa ignorância! Ações, se compram ou se vendem. O Governo já recebeu o dinheiro quando vendeu as ações.

Se venderem as ações do BNDES, podem realizar um caixa no Banco. O PMDB está tão ávido por dinheiro para as eleições que já deve estar pensando em como extorquir a Embraer, porque o mercado da propina está em crise com as fontes já depenadas.

Nesse caso específico não adianta pensar na ditadura de Medida Provisória, nem em Lei comprada do Congresso, porque a Embraer está monitorada pelos guardiões da Lei e da Ordem, as Forças Armadas. O fato de ela estar livre do governo é – justamente! – a razão do seu sucesso. Nada do governo funciona com eficiência porque nenhum legislador tem competência executiva para administrar coisa alguma. E, com o Governo Temer, são esses políticos-legisladores que ocupam todos os Ministérios. O resultado é o desespero a que está sendo submetido o povo, revelado por 97% de descrédito nesse Presidente Temer, que assumiu o posto de principal responsável pela crise do Brasil.

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