Comentário #2 à entrevista do Ministro Meirelles ao Estadão em 10 de julho de 2016

Receitas extraordinárias e futuras

O Ministro Meirelles afirma que vai aumentar a receita com recebimentos extraordinários de 55 bilhões de reais. Quem garante essa receita? Como é o Governo que prepara a proposta do orçamento, ao se incluir no mesmo essas receitas por eles arbitradas, segue o orçamento inchado que, uma vez aprovado pelo Congresso, autoriza o Governo a gastar o que foi definido no orçamento, mesmo que não se realizem as tais receitas extraordinárias. A proposta do orçamento é organizada pela própria equipe econômica que faz parte do Governo. Por que não arbitraram as receitas futuras em 60 bilhões de reais? Ou em 50 bilhões de reais?

É essa a jogada inescrupulosa usada pelo Governo, que gerou um déficit de 170 bilhões neste ano de 2016, e continua gerando despesa. Com a crise, as repartições públicas estão autorizadas a gastar, mas não há receitas em dinheiro para pagar. O resultado disso é o esfacelamento do serviço público, que vai ficando cada vez pior.

Recuperação de receitas

As receitas estão caindo há anos e o Governo diz não saber porquê. Não sabe pois não acompanha o que aconteceu com a economia desde 2013. Diz que existe uma correlação entre confiança caindo com a arrecadação caindo. Não é essa relação!

A desconfiança é no Governo, que destruiu o Código Tributário e reduziu os impostos de importação, desestabilizando as indústrias e nada fazendo para restabelecer as regras do jogo comercial e industrial. A arrecadação vem caindo desde 2013 na proporção em que as indústrias vão fechando, e continuará caindo até que sejam restabelecidas condições operacionais do parque produtivo do país. Quem vai investir para ser destruído?

O investimento industrial está zerado e assim continuará. Sem investimento, não haverá crescimento. Essa é a causa da crise que, para a equipe econômica do Governo, não existe.

Para o Governo, crise é não ter dinheiro para pagar as contas, acreditando que isso seja somente uma crise fiscal. Mas essa crise não demite ninguém. O problema real é a crise da economia, e essa o Governo não sabe como resolver, enquanto já foram demitidos 12,5 milhões de trabalhadores. Foi essa a crise produzida pelo governo PT, que acabou com a Dilma.

Ela está continuando e, se nada for feito para corrigir as distorções criadas pelo Ministro Mantega, vai continuar e acabar com o governo Temer. Onde está a competência do Ministério da Fazenda para corrigir o legado sinistro de Guido Mantega?

O que o novo ministro pretende: vender ativos para fazer receita.

Vender ativos para continuar a gastança é um ato que merece cadeia por improbidade administrativa. Quem vende ativos de uma empresa decadente pratica fraude contra os credores. Vender ativos é o estágio anterior à insolvência financeira! Antes de começar a vender, é necessário acabar com a gastança.

Esse Governo mantém o absurdo do Governo PT de considerar os ativos do país como sua propriedade, o que é uma apropriação indébita. O que é do povo está sendo desviado por seus empregados, instalados no Governo, para satisfazer a política.

Sobre a venda de ativos, o Ministro Meirelles diz que vai vender ações pertencentes ao BNDESPAR.

Na depressão em que está o mercado de ações, ele está provocando um rombo no Banco que é do povo. O presidente interino Michel Temer colocou Maria Silvia no BNDES e Pedro Parente na Petrobras. Com esses dois ficou difícil alguém interferir na gestão dos negócios dessas empresas. Pena que são só eles dois. O resto precisa ser trocado por esse tipo de profissionais competentes, mas está difícil algum político preencher esses requisitos.

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