Comentário #1 à entrevista do Ministro Meirelles ao Estadão em 10 de julho de 2016

O Dr. Meirelles fez uma grande jogada de marketing político com sua entrevista no Estadão. E, como todo pretendente a político, misturando verdades e supostas ações que eventualmente
podem ou não ocorrer.

Ele se assume maestro da economia sem conhecer a economia atual brasileira. O correto era ter ido para o Banco Central pois, como banqueiro, é o que conhece. Só ser sério não o qualifica para Ministro da Fazenda. O que é muito séria é a crise da economia que, para ele e o governo, não merece prioridade. Aliás, eles preferem desconhecer a crise, certamente por não saberem como resolver. Foi o Executivo que estabeleceu as condições para produzir a crise econômica e, portanto, é o único responsável por ela. Foi o Ministro Mantega que, emitindo 183 portarias do Ministério da Fazenda, acabou com o Código Tributário Nacional e, de tanto interferir na economia, afastou os investidores e o investimento no país caiu para zero. A questão é: o Ministro da Fazenda vai tentar resolver a crise econômica ou vai continuar com desculpas e empurrar para o futuro essa atribuição urgente que está desgraçando o país?

Ao misturar crise fiscal com crise na economia e crise política, o povo fica sem saber a quem cobrar a solução. Entretanto, as três crises são independentes e são resultado da política econômica, da arrecadação baixa e do ajuste fiscal. O restante – PIB negativo, desemprego de 12,5 milhões, fechamento de 450 mil lojas e metade da indústria nacional, inflação elevada, desordem em todo o serviço público e investimento zero – é culpa do Poder Executivo e é ele que tem de encontrar a solução.

Meirelles falou que “O plano A é o controle das despesas” e assim, disse que vai reduzir 80 bilhões de despesas. Ele só não diz “como” fará isso, que é para não se comprometer. Afirmou que a mensagem do Governo é de austeridade e que, se for mantido o crescimento da despesa que estava ocorrendo, o déficit público em 2017 iria a 274 bilhões. Desse modo, com a redução dos 80 bilhões previstos o déficit cairia para 194 bilhões.

Ora, o déficit de 2016 está previsto em 170 bilhões. Isto é, o Governo ainda pretende aumentar a despesa em mais 24 bilhões em 2017? É só fazer as contas.

Mantendo essa gastança, a crise e a inflação só aumentam. No entanto, para dar a impressão de que está reduzindo o gasto, disse que o déficit será de 139 bilhões, e jogou essa solução para o Congresso, na melhor prática de transferir o problema para os outros. Que despesa real foi reduzida nesse Governo? É ele que envia a proposta do orçamento para ser analisada e aprovada pelo Congresso. Por que a proposta já não foi apresentada com todas as reduções possíveis incorporadas?

Onde está a austeridade? Não dá mais para ficar enganando 200 milhões de brasileiros!

O TCU informou que o governo tem 346 mil cargos de confiança que consomem 35% da folha de pessoal, ao custo de 3,5 bilhões/mês. Consta que os Estados Unidos têm somente 100 mil cargos. As nomeações para esses cargos é sem concurso. É uma burla à Constituição, que determina que os funcionários públicos somente podem ser admitidos através de concurso público.

O Meirelles nem mencionou reduzir essa monstruosa despesa com pessoal e o presidente interino Michel Temer já anunciou que, só em 2017, vai reduzir 4 mil cargos dos 346 mil. Ora, eles são cuidadosos com a gastança e o Ministro do Planejamento afirma que será utilizada a “reserva do orçamento para não cortar gastos”.

Se não cortar gastos, que austeridade é essa? Agir dessa maneira é decisão política de manter a crise que já gerou 12,5 milhões de desempregados e continua a destruir o país.

Se esse dinheiro dos pelegos em cargos em comissão fosse aplicado na Saúde, acabaria a vergonha do atendimento do SUS ao povão. Mas nada disso interessa ao governo…

A única prioridade continua sendo a política, porque esses cargos de confiança são indicações de partidos cuja base tem de ser comprada e que descontam 10% de dízimo para o partido que indicou.

O Governo está tentando incutir confiança na sociedade, inclusive produzindo pronunciamentos na mídia de que essa equipe econômica é boa. Não é.

Nele, só há duas pessoas sérias e competentes, não envolvidas com política, e que assumiram empresas devastadas.

Os demais são políticos designados para o Executivo, e esses, o povo e a polícia federal conhecem bem.

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