Carta aberta ao Governador Pezão, do Estado do Rio de Janeiro

Na semana passada registrei uma declaração sua em destaque no jornal referindo-se à crise hídrica no Estado e mandando o povo rezar para chover.

Não adianta fugir do assunto para tirar o seu da reta. O Sr. foi eleito governador desse Estado. O Estado é responsável pelo suprimento de água à sua população. Como o Sr. representa o Estado, é o principal responsável por prover água para a população desse estado utilizar nos diferentes serviços onde é utilizada. Para isso, a disciplina de seu uso, o planejamento das providências decorrentes do aumento do consumo devido ao aumento da população, a dificuldade cada vez maior de conseguir fontes de suprimento de água, as técnicas modernas do seu uso na agricultura, os programas do seu governo para ir acrescentando suprimentos e evitar desperdício ou uso com técnicas obsoletas nos dias de hoje face à carência de água no mundo. Tudo isso é de sua responsabilidade.

Sei que nada disso foi discutido como programa seu de campanha da eleição, mas voto é uma coisa que acontece e passa. As necessidades da vida como água e energia permanecem como as mais importantes para o povo desse Estado. O Sr. foi eleito porque é um político que faz, executa o que foi planejado, leva os projetos até o fim. Agora os projetos e as decisões terão de ser de sua equipe.   E o Sr. foi eleito para o Executivo e é o responsável maior nesse Estado para executar os planejamentos, se entender com os Prefeitos para que essas ações sejam permanentes e urgentes porque a falta de água está batendo à porta de todos, em todo o Estado. E no nosso Estado está ainda associada à falta de energia.

1. A crise hídrica.

Há mais de um ano os metereologistas do mundo todo estão avisando que a água vai ficar cada vez mais escassa no mundo. Aqui no Brasil onde os Governos e os políticos só querem ser reeleitos e o país só serve para fornecer o máximo possível de dinheiro para que possam bancar a reeleição, nunca vi nenhum político sequer tocar no assunto. Mas agora, o Rio Paraíba secou e está bombeando menos água que o projetado para o reservatório hídrico da serra que abastece as turbinas hidroelétricas da Light. Essa água, depois de gerar energia ajuda a abastecer a estação de tratamento do Guandu da Cedae. O Rio Guandu que desce a serra também deve estar com a fluxo diminuído. Todo o povo do Estado usa a água do Paraíba para todos os fins, sem o mínimo controle. Os jornais já publicam uma estimativa de perda de produção de 60 bilhões de reais. A crise está batendo à nossa porta. E o que o Sr. está fazendo? Vi nos jornais que foi de pires na mão conversar com a Ministra do Meio Ambiente. Para que? Para tentar tirar o seu da reta? Não vai tirar não.

Essa responsabilidade é sua e vamos continuar cobrando para que assuma sua função de executivo do Estado. A Ministra tem água? Não. Então não é por aí. Esperava que ela tivesse dinheiro? Ela pode até pensar que tem, mas a arrecadação federal mal dá para pagar as despesas correntes e investimentos esse ano, nem pensar. Portanto, o Sr. vai depender das forças vivas desse Estado para resolver esse problema e tem todas as condições para isso, basta liderar, cobrar soluções e exigir execução. Se precisar de dinheiro, o Sr. tem todas as condições já estabelecidas para levantar no mercado ou nos Bancos o que precisar. Só precisa assumir e ir em frente. 

a) Há providências que já poderiam ter sido tomadas há mais de um ano, e não buscar providências caras que promovam o aumento de captação de água por conta do aumento da população, nem sempre possível. Por exemplo:

– colocar no código de licenças que todos os postos de gasolina devem instalar poços artesianos para sua água industrial de lavagem de carros.

– tornar obrigatório que todos os condomínios tenham poços artesianos para lavagem de suas partes comuns, aguar as plantas e jardins, e outros serviços que não exijam água da CEDAE.

– alterar a licença dos prédios e exigir que todas as piscinas sejam supridas por água de poços artesianos. 

Isso tem que ser debatido e aprovado por todos os Prefeitos do Estado, pois o problema é de todos, mas a responsabilidade e a coordenação são suas. Você tem um problema interno no Estado e interesses contra essas medidas, porque a CEDAE vai perder faturamento. Já vi esse tipo de reação acontecer antes nesse país e ainda não vi decisão executiva de passar por cima dele e executar o que for necessário para o povo. Demita o presidente da CEDAE se não se engajar no seu time para ir aliviando esse problema da água. 

b) Há uns 50 anos atrás, a LIGHT fez um acordo com o Estado para bombear, creio que 18m³ por segundo do Rio Paraíba para o reservatório da Região Serrana, que alimenta as turbinas do Ribeirão das Lages gerando energia elétrica para essa cidade. Esta semana, como o Rio Paraíba está seco, os jornais publicaram que houve uma redução nesse volume bombeado. Isso vai reduzir a água processada no Guandu, isto é, água da CEDAE e também a produção de energia elétrica, outro insumo em crise. Está na hora de acabar com esse bombeamento de vez. Se for necessário, acoplar uma turbina a gás no eixo da turbina que não terá água suficiente para operar, ajudando o sistema elétrico. Quanto à CEDAE, vai ter de se virar para arranjar água para vender.

c) Antes de me aposentar operei uma indústria metalúrgica de porte médio em Belford Roxo. Há uns 10 anos atrás, o suprimento de água naquela região era falho, faltava rede adequada de distribuição, tínhamos de resolver a água dos bombeiros, resolvi estudar soluções para o problema. No meio da oficina principal tinha um poço artesiano abandonado há anos. Chamei uma companhia que fura poços e mandei que operacionalizassem o poço. Passou um mês bombeando água para limpar o poço. Mandei analisar a água:  pura, límpida, potável, só não tinha adição de flúor e cloro da água da CEDAE. Mandei furar mais 3 poços no terreno grande externo à fábrica. Novamente tínhamos água excelente. Passamos a usar toda a água industrial suprida por esses poços com uma redução grande dos custos e sem preocupação por faltar. Resolveu também o problema do Corpo de Bombeiros. 

d) Para dar uma ideia de como resolvem esse tipo de problema em outros países, vou relatar o que aconteceu na cidade onde vivi nos EEUU quando fazia minha tese de doutorado:

Nos anos 60, aluguei uma casa numa cidadezinha  de 4 mil habitantes distante 30 km de Chicago, mas perto do Centro Nuclear de Argonne da Comissão de Energia Atômica Americana onde desenvolvia minha tese.  A cidade tinha uma Praça Central, pequena, de uns 200 metros redonda onde se concentravam os serviços básicos, como mercado, bancos, consultórios de vários tipos. Seis dessas pessoas mais em destaque faziam parte do Conselho da cidade. Não tinha prefeito nem vereadores. Um dia recebo uma carta do Conselho informando que o sistema de abastecimento de água da cidade estava começando a ficar crítico porque foram adicionadas várias casas. Sugeria que todas as residências fornecesse um cheque de 25 dólares para que instalassem mais um poço artesiano, passando de 5 para 6, e se ampliasse o sistema de tratamento da água. A carta exigia uma resposta – Sim ou Não. Como a maioria deve ter concordado, todos depositaram os 25 dólares na conta indicada no Banco e em seis meses o serviço estava pronto e foi comunicado a todos. Todas as casas tinham hidrômetro para medir a água utilizada e uma firma contratada para fazer as leituras e mandar as cobranças. Como o investimento foi feito pelos correntistas, o preço da água não mudou. Nem sei se o Governo Federal ou Estadual souberam da solução empreendida. Solução dada pelo povo para resolver seus problemas. Lá já tinham abandonado a mentalidade colonial de perguntar e pedir licença ao feitor. Aqui se continua atrelado a ela porque funcionário público não assume responsabilidade de nada.

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Uma resposta para “Carta aberta ao Governador Pezão, do Estado do Rio de Janeiro

  1. Você citou problemas de 10, 40 anos atrás…. qual é a culpa do Pezão nisso? Ele ACABOU de assumir o governo, não adianta querer que ele resolva todos os problemas do Estado em meses. Até agora ele vem fazendo um excelente trabalho, e acredito que está conduzindo a crise hídrica da melhor maneira.

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