Carta aberta ao Dr. Geraldo Alckmin, Governador de São Paulo

No princípio do mês de janeiro vi a notícia do Sr. ter corrido à D. Dilma para arranjar um financiamento para a SABESP executar uma obra de contingência para resolver – pelo menos temporariamente – o problema de água em São Paulo. Dona Dilma, não se deu por rogada, imediatamente mandou liberar 800 milhões para que fosse feita a inclusão no PAC das obras de interligação do reservatório Jaguari-Atibainha. E já no seu pronunciamento à nação na reunião do seu Ministério, já assumiu como solucionadora do problema da água em S.Paulo.

Comentário 1:

Como político, zero à esquerda. Com Dona Dilma desgastada com a economia estagnada e totalmente desestruturada, mal tendo recursos para pagar as contas correntes do Governo e sem ter dinheiro para executar qualquer das obras ou programas prometidos durante a campanha presidencial, o que o Sr. queria? Tirar o seu da reta? A responsabilidade por esse abastecimento é do Estado de São Paulo e o Sr. foi eleito para administrar o Estado. Dona Dilma não tem nada com isso. Se o PAC ficar só para registro da propaganda de Dilma e ficar parado como estão todos os seus programas, o que acontecerá em São Paulo sem água? O único responsável será Geraldo Alckmin. Ademais, o que poderia fazer Dona Dilma a respeito? Mandar que a SABESP enviasse o projeto ao BNDES que, se aprovado, obteria o financiamento do Banco como qualquer empresa sem precisar de favores de ninguém. Acontece que o BNDES está contingenciado pelo Ministro Levi face ao uso político do Banco pelo Governo Dilma e precisa retornar a ser simplesmente um Banco, usando recursos próprios e não do Tesouro. Não é, portanto uma saída consistente, rápida e garantida no momento.

Comentário 2:

A SABESP é uma sociedade anônima de vulto com ações na Bolsa de Valores. O Estado de São Paulo é o acionista majoritário, portanto responsável pela condução dos negócios da empresa. Por que a SABESP não convoca o povo de São Paulo para ajudá-la a resolver o problema da água? Se está precisando de 800 milhões para resolver essa emergência operacional, basta lançar a subscrição dos 800 milhões em ações da companhia. Afinal a companhia é do povo de São Paulo. Que ele participe ou mesmo passe a liderar a firma, nada mais natural. O povo tem o dinheiro e essa subscrição pode ser feita rapidamente. E se precisar de investimento em outro programa para garantir água em S. Paulo, é esse o caminho garantido para obter êxito rápido.

Comentário 3:

Por que o financiamento precisa ser do BNDESPor que não do Bradesco ou Itaú, ou ambos em conjunto? Pois isso é uma ajuda ao povão de São Paulo e é aí que está a maioria de seuclientes e também a maioria dos seus empregados. Sem água a vida de ninguém funciona direito.

Comentário 4:

Ainda não vi o Estado que tem o maior desenvolvimento tecnológico do País mencionar o uso de alguma tecnologia para ajudar a resolver o problema da água da chuva. Todas as previsões indicam que não dá para depender da chuva no médio prazo. Então é hora de ação e não só rezar a São Pedro para chover.

Vi algumas cenas da TV em São Paulo com postos de gasolina com poços artesianos fornecendo água para lavar os carros. E estavam ajudando fornecendo água a alguns vizinhos. Por que não tornar obrigatória a utilização de poços artesianos em todos os postos de gasolina do Estado e não somente a quem quiser  instalar? Por que não estender essa decisão o todos os condomínios? Estabelecer que todas as piscinas devem ser abastecidas por poços artesianos e não por água da SABESP. Todos sabem que água é um bem que está ficando escasso em todos os países do mundo, portanto providências para o futuro devem ser implementadas permanentemente e já.

Vi também cenas de esguicho rotativo espalhando água sobre plantações agrícolas a preocupação dos agricultores porque os riachos de onde estavam retirando a água estavam secando. Não dá mais para irrigar agricultura por esse processo de spray porque gasta muita água e ela está escassa. A solução para garantir a produção é bombear água em gotículas na raiz das plantas, reduzir a área de evaporação concentrando as árvores frutíferas e usar poços artesianos para suprimento de água. Vi em Israel plantações de laranjas com laranjeiras coladas umas nas outras com maior produção de laranjas que as daqui, que ficam separadas 4 metros. Vi lá também muitos tipos de soluções tecnológicas porque lá não tem água – a não ser a dessalinizada do mar mediterrâneo que custa muito mais cara que a água da chuva. O que o Estado está esperando para agir? O que faz essa massa de funcionários públicos que deveriam estar tratando desses assuntos que são emergência no Estado? Se essas agências da água quiserem interferir nessas decisões, passe por cima porque a responsabilidade é de São Paulo e não das agências e o Sr. que o representa e é o maior e único responsável.

Comentário 5:

Quando trabalhando na minha tese de doutorado nos EUA nos anos 60, aluguei uma casa numa cidadezinha  de 4 mil habitantes distante 30 km de Chicago, mas perto do Centro Nuclear de Argonne da Comissão de Energia Atômica Americana onde desenvolvia minha tese.  A cidade tinha uma praça Central, pequena, de uns 200 metros redonda onde se concentravam os serviços básicos, como mercado, bancos, consultórios de vários tipos. Seis dessas pessoas mais em destaque faziam parte do Conselho da cidade. Não tinha prefeito nem vereadores. Um dia recebo uma carta do Conselho informando que o sistema de abastecimento de água da cidade estava começando a ficar crítico porque foram adicionadas varias casas. Sugeria que todas as residências fornecessem um cheque de 25 dólares para que instalassem mais um poço artesiano, passando de 5 para 6 e se ampliasse o sistema de tratamento da água. A carta exigia uma resposta – Sim ou Não. Como a maioria deve ter concordado, todos depositaram os 25 dólares na conta indicada no Banco e em seis meses o serviço estava pronto e foi comunicado a todos. Todas as casas tinham hidrômetro para medir a água utilizada e uma firma contratada para fazer as leituras e mandar as cobranças. Como o investimento foi feito pelos correntistas, o preço da água não mudou. Nem sei se o Governo Federal ou Estadual souberam da solução empreendida. Solução dada pelo povo para resolver seus problemas. Lá já tinham abandonado a mentalidade colonial de perguntar e pedir licença ao feitor. Aqui se continua atrelado a ela porque funcionário público não assume responsabilidade de nada. E o Sr. age como um deles, embora tenha sido eleito com uma votação esmagadora do seu povo. Não o decepcione.

 

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Uma resposta para “Carta aberta ao Dr. Geraldo Alckmin, Governador de São Paulo

  1. Sr. Antonio Didier, o problema da água em S. Paulo aos de {Westfield} da vida, podemos usar como parâmetro as dimensões geográficas ou demográficas e, não crucifiquemos o governo Alckmin que não deu atenção devida à tantos fatores que contribuíram para chegarmos a este ponto ex: o êxodo nordestino rumo a terra prometida, crescimento incontido sem planejamento etc. Isso ocorre desde que me conheço por gente. A culpa deve ser dividida com todos os antecessores, inclusive governos federais que não se preocuparam com o desenvolvimento do nordeste, por ex: Repito, não crucifique o Alckmin porque todos se olharem para trás, verão um rabo de GODZILA !! Abs.

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