Ecos das eleições

Foram registradas no TSE três candidaturas para disputar o cargo de presidente da República. Cada uma montou uma equipe para formatação das ideias e programas a serem apresentadas na campanha e a preparação da propaganda e marketing político.

A candidata à reeleição divulgou com antecedência que iria continuar com as mesmas políticas desenvolvidas por seu governo. Os outros dois informaram que até o final de março apresentariam os programas. Mas nada aconteceu. Somente em maio, na véspera do prazo da Lei Eleitoral que obriga os partidos a apresentarem os programas de seus candidatos é que os mesmos foram lá depositados e mesmo assim não eram programas, mas intenções dos candidatos. E a tônica era uma só “mais do mesmo”, igual de todos os candidatos.

Todos esqueceram que cerca de três milhões foram às ruas em todo o país exigindo mudanças no governo. A partir de junho de 2013 todas as pesquisas do IBOPE apresentavam que 70% dos eleitores queriam que outro governo fizesse as mudanças que demandaram nas ruas. Dois terços dos votos ganha no primeiro turno. Havia a possibilidade de aparecer um aventureiro tipo Collor e lançar a bandeira das mudanças e sair vitorioso, mas para isso teria de ter um partido, mesmo nanico como teve Collor.

Mas não apareceu ninguém. Desapareceram ou se afastaram os políticos com liderança e ideias nesse país. O país tem massa crítica de gente competente, mas não são convocados para a administração pública porque os políticos incompetentes querem todas as posições importantes para angariar prestígio e recursos para se reelegerem permanentemente. Esse expediente é proibido na maioria dos países avançados por misturar os participantes dos dois poderes tornando o povo cativo da vontade ditatorial deles, mas tornou-se prática normal no Brasil. Dessa maneira, nada funciona direito e o retrato do Brasil de hoje está estampado nos jornais e nos índices das Nações Unidas.

Essa situação estava se refletindo no povo que passou a exigir mudanças. Mas onde elas ficaram? Nenhum candidato apresentou sequer uma proposta executiva, área de responsabilidade do poder que estavam disputando. Os três queriam os votos sem saber o que teriam de fazer para atender o povo.

Não houve debate de ideias e programas na divulgação pelas mídias e o povo foi obrigado assistir a uma exteriorização de meias verdades, muitas vezes mentiras deslavadas e agressões pessoais em tentativas de denegrir a integridade dos adversários e assim desviar atenção do povo para a falta de proposições para merecer seu voto. Não tinham proposta alguma. O povo ficou a ver navios e frustrado: para cumprir a lei teve de votar num candidato. Mesmo sem preparação para isso, com seu voto conseguiu dar um recado aos políticos e ao PT.

Nunca pensei que essas equipes montadas para organizar os programas fossem tão incompetentes.  Na falta de convicção ou sem ter competência para propor algo consistente, foram buscar o tripé econômico de  20 anos atrás utilizado pelo presidente Fernando Henrique para sair de uma situação de babel econômica com 600% de inflação, zero de reserva de dólares no BC e com uma dívida publica asfixiante para o orçamento.

FH segurou a despesa para ir reduzindo a inflação (que caiu a 12%), e instituiu o câmbio flutuante – que nada mais era que deixar o dólar flutuar de acordo com a lei da oferta e procura, pois o BC não tinha dólares em estoque para regular nada. E procurava acumular um superávit fiscal para, pelo menos, pagar os juros da dívida e evitar comprometer cada vez mais o orçamento da Nação.

Essa política aos poucos foi trazendo o país à normalidade operacional e à estabilidade financeira. O país cresceu muito nesse período. Veio o Governo Lula e tudo continuou no progresso sustentado, o que deu a ele uma enorme popularidade junto ao povo.

No final do segundo mandato, Lula também mordido pela mosca azul, resolveu continuar com seu projeto de poder. Depois de dois mandatos resolveu adotar a estratégia de institucionalizar o país como uma nação bolivariana, com o PT como partido único, e ele próprio comandando tudo até morrer. Não estou inventando isso! Eu vi no vídeo ele próprio bradando isso com raiva no Forum dos Governos Bolivarianos promovido por ele em São Paulo.

Como o PT aos poucos foi sendo absorvido pelos comunistas e os idealistas foram sendo jogados para escanteio e deixando o partido. Os comunistas se aboletaram lá e hoje o comunista chefe Rui Falcão é o presidente do PT. Deve ter convencido Lula, que nunca foi comunista, para que adotasse essa política para conseguir o que queria.

Para isso, resolveu aplicar a cartilha do partido comunista de 100 anos atrás, de conquistar o país sem revolução armada de acordo com a nova versão do comunista italiano Gramsci e colocou D. Dilma na presidência para gerenciar as atividades. Comunista de carteirinha, cursada e experimentada na luta da guerrilha contra a ditadura, ninguém  melhor e de mais confiança para executar as diretivas da cartilha. Adotaram a estratégia de ficar enganando a sociedade, lançando sistematicamente planos e mais planos de crescimento, de aperfeiçoamento técnico, sociais, educacionais e alardeavam em todos os jornais continuamente para gerar no país a expectativa de que tudo estava funcionando bem. Enquanto isso, para cumprir a cartilha, o Ministro Mantega emitiu centenas de intervenções pontuais na economia e instituiu 21 políticas de exceção praticadas no país.

Com isso, o PT alimentou o setor automobilístico que é suprido por um grande número de empresas de modo a garantir as estatísticas de emprego e a macroeconomia mais ou menos estável, para manter as críticas dos economistas comportadas, pois não têm experiência de como funciona a microeconomia.  Tiraram da outra metade da indústria as suas condições normais de investimentos e operação. Conseguiram em 10 anos destruir a metade da indústria nacional, e ela continua sendo destruída pelas condições reguladas por Mantega. Conseguiram trazer o investimento a zero e o PIB também a zero. Mantega teve um sucesso extraordinário na execução da cartilha do partido comunista. Esses dois parâmetros são os focos principais a serem alcançados na trajetória da mudança do regime. Enquanto isso o Governo abandonou os serviços públicos que foram degradando ano após ano, até que 3,5 milhões de brasileiros foram as ruas até nos rincões desse país para bradar que queriam mudanças que acabassem com essa infâmia do serviço público, da educação, dos transportes urbanos e da falta de ética e corrupção generalizada no Governo.

E o que apresentaram os presidenciáveis para corrigir toda essa empulhação reclamada pelo povo? Nada. Mais do mesmo, o mesmo atraso. Mais do mesmo, muda o quê? E para quê mudar o governo, se é para ficar tudo no mesmo? Deram as costas para os desejos do povo. Perderam a eleição por total incompetência política. Quem ganhar o que sobrou das eleições vai realizar o maior fracasso no próximo governo nesse país, muito pior do que o que aí está, porque há bastante tempo o país está em trajetória de retração econômica, já zerou e vai ficar pior. É da economia que resultam todas as receitas e a geração de riqueza do país. Qualquer receita adicional, só alienando ou vendendo ativo nacional. Na mesma política, o país segue para o caos. Vai faltar dinheiro para tudo.

Mantega destruiu o Código Tributário Brasileiro. Sem ele não pode haver planejamento industrial porque imposto é custo e mudando semanalmente, ninguém acreditará em mais nada do Governo. A economia só funciona normalmente com estabilidade. Onde ficou a estabilidade conseguida pelo presidente FHC? Mantega destruiu toda a possibilidade do mercado voltar a ter regras e estabilidade. Por isso, o investimento não ficará zerado. Vai continuar caindo e não adianta apelar para investimentos externos, pois lá também sabem o que se faz aqui, e só aplicam dinheiro aqui com contratos firmes, com impostos, regras e condições bem explícitas e garantidas. O mesmo se aplica às concessionárias. Não é a livre iniciativa atuando, são as empresas se protegendo da desordem da economia programada para cumprir a cartilha.

O Mantega, já quase ex-ministro, enfatizou publicamente que a política econômica vai continuar a mesma. Qual é o novo Ministro da Fazenda que vai aceitar comandar a continuidade dessa destruição da economia do país?

Terminada a eleição o PT celebrou-a como uma vitória e aprovação da política do Governo e, na semana seguinte, emitiu uma Resolução Política que, em resumo, é a decisão de prosseguir com os objetivos comunistas bolivarianos e já sugerindo novas conquistas delineadas e programadas.

O que segue é procurar baixar ao nível mais baixo a educação (é mais fácil dominar pessoas que pouco questionam), continuar promovendo a criminalidade – que hoje já atinge 56 mil mortes por ano e precisa continuar aumentando para aterrorizar a sociedade, reduzindo sua capacidade de reação – e continuar conduzindo a economia para o caos, tornando a sociedade cada vez mais pobre e com dificuldade de se armar e se articular para enfrentar o Governo.

Ganharam a eleição, mas ninguém está aprovando nada. O recado do povo foi a derrota do PT na eleição. Sua bancada foi reduzida na Câmara em 18 membros e no Senado em dois. Os partidos nanicos, agora com políticos renovados, obtiveram uma bancada de 45 deputados e, se usarem a cabeça, poderão assumir uma posição fortíssima e independente no Congresso.

Continuar com o Congresso comprado?  Melhor esquecer esse esquema. Mesmo sem ele, não há como implantar a mudança na Constituição para transformar o país num governo bolivariano. O povo brasileiro nunca aceitou isso. E é contra. O brasileiro gosta do país e quer progredir. Nem os índios brasileiros aceitaram a escravatura. E muito menos esse povo, que sempre foi livre e aprecia a liberdade para viver feliz e alegre. O Brasil já experimentou duas ditaduras: uma civil do Getúlio e outra dos militares. Não deu certo. E também não deu certo em nenhum país do mundo. Ficar sujeito a uma ditadura bolivariana? Essa não! Lula devia ter mais consideração com o povo que sempre o apoiou e não traí-lo dessa maneira.

A única política que o Lula tem competência para fazer é comprar voto. Mas para isso é preciso ter muito dinheiro e, para consegui-lo, o PT institucionalizou a corrupção para desviar dinheiro de qualquer instituição do Governo com recursos ou fundos financeiros. Com esse dinheiro o PT ganhou as eleições para presidente, mas o desvio de dinheiro foi tanto que se transformou em escândalo nacional e mundial!

A Polícia Federal, o Ministério Público, a Justiça, a Controladoria Geral da União, os Tribunais de Contas, as auditorias internas dos órgãos e até a Justiça dos Estados Unidos, estão todos empenhados em encontrar provas e definir os responsáveis para processá-los. Esse caminho agora está mais direcionado para encarcerar todos eles na Papuda. E Lula e dona Dilma que se cuidem para que não seja provado que foi sob o comando deles que toda essa corrupção foi estabelecida no país para gerar dinheiro para a eleição do PT. Podem os dois pararem na Papuda ou fugirem do país como é a saída de governantes corruptos, quando não conseguem se desvencilhar das suas responsabilidades legais.

Agora apareceu a primeira acusação que poderia levar dona Dilma ao impeachment. O não cumprimento da Lei Orçamentária sancionada por ela que jurou ao tomar posse no Congresso de cumprir as leis do país e a Constituição. Estão utilizando ainda o Congresso comprado para aprovar  a bagunça com a lei orçamentária e gastarem o que quiserem dos cofres do Tesouro, porque dinheiro roubado agora está difícil. Com essa lei dona Dilma fica livre do impeachment dando um péssimo exemplo à Nação. E, para cobrir o rombo, aumenta-se a dívida publica e compromete mais os orçamentos futuros do país. Cada vez vai faltar mais dinheiro e o povo vai ficar mais pobre. Quem gera mais contribuição de impostos federais é a indústria. O Governo comandou a destruição da metade da indústria e continua com a destruição do resto.

E a receita de impostos? Não está dando mais para pagar as contas do Governo embora aqui cobrem o mais alto imposto do mundo. Vão continuar com a enganação?

O povo não aceita mais ser enganado. Não é terceiro turno. O povo não aceita os rumos em que o país está sendo conduzido. Tem que mudar. Ainda não foi encontrado o caminho, nem uma liderança que o oriente, mas o povo não aceita o que está acontecendo. E vai pressionar o Congresso, o Governo, na mídia, na internet, nas redes sociais. Ninguém segura uma onda de 150 milhões bradando contra. Ou muda numa boa, ou é melhor se preparar para o turbilhão social que vão ter de enfrentar.

 

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