A jogada de marketing dos picaretas do Congresso

Há dois dias, o atual vice-presidente Michel Temer havia estampado nos jornais toda sua arrogância como presidente que é do PMDB: “Ninguém governa sem o PMDB”. Certamente para tentar esvaziar a declaração de D. Marina de que iria governar escolhendo os melhores de todos os partidos.

No dia seguinte, o deputado Beto Albuquerque, candidato a vice-presidente de D. Marina, em entrevista ao Estadão divulga em letras enormes esta declaração”NÃO PODE DAR O GOVERNO AO PMDB.” E depois mais detalhado: “Ninguém governa sem o PMBD, mas não é preciso entregar o governo para ter governabilidade. Por que tenho de perguntar ao Renan Calheiros quem devo indicar para os ministérios?”

Essa última parte revela como funciona a máquina de corrupção montada no Congresso. Foi dela que saiu a indicação do diretor ladrão (como definido pelo ex-diretor Estrela da Petrobras e publicada na imprensa) e que lá foi colocado por pressão do PT (declaração pública do ex-diretor Gabrielli), como que dizendo que ele como Diretor-Presidente não teve nada com isso. A decisão foi do Conselho – D. Dilma e Mantega, ambos PT.

D. Dora Kramer, uma das poucas jornalistas independentes e bastante observadora e atuante da vida política desse país, no seu artigo “Gato por Lebre”, afirma com toda a clareza que ambos tangenciaram a realidade e afirmaram uma meia-verdade. O seu artigo esclarece toda a falácia enganadora por trás desses pronunciamentos.

Como já vivi certamente o dobro da existência dela, conhecia os fatos por ela narrados e concordo com suas análises, mas tenho a visão da outra meia-verdade. Aproveitando a compra de partidos que garantiu ter o Congresso sob controle, e conhecido o interesse do PT em desacreditar as instituições para facilitar se apoderar dela, foi aprovada a Lei dos Partidos Políticos. Por essa lei instituíram uma reserva do mercado para os partidos e os políticos. De acordo com a lei, o povo tem de pagar mensalmente a sustentabilidade dos partidos com valor bem definido e toda a propaganda deles nos meios de comunicação.

Isso custa ao orçamento da Nação cerca de 1,2 bilhão de reais anuais. Esse não é o dano às instituições, é apenas uma garantia de rendimentos para os políticos e péssima aplicação do dinheiro do povo.

O dano maior é que a Lei determina que só os partidos possam apresentar candidatos e somente os partidos podem ser registrados no TSE. O que existe em quase todas as partes do mundo que o povo pode indicar seu candidato,  independente de partido. Isso desapareceu no Brasil!

Com isso o Congresso hoje pertence aos partidos e não é mais a casa dos representantes do povo. Virou a casa dos políticos e não representam ninguém. Como são os partidos que indicam, os políticos indicam eles mesmos ou os filhos ou netos, ou vendem as indicações para algum interessado novo. É assim que funciona para todos os postos desde vereadores, deputados e senadores. O povo ficou inteiramente fora e não tem como desalojá-los de lá. As instituições políticas de governança do país foram alteradas e vai ficar difícil voltar ao original porque quem faz Leis é que foi responsável por essa situação.

Como o Congresso não representa o povo as leis não têm ressonância com os anseios da sociedade. Esse país – que já não era sério, como disse De Gaulle – virou o país da corrupção e agora, com a possível mudança de governo soou o alarme de “aproveite para desviar para o bolso a grana que possa, porque com o novo governo, a certeza de poder encher os bolsos vai encolher”.

Como D. Marina é povo e portanto séria, não se vende e não faz conchavos de corrupção, estão todos os políticos apavorados com a possibilidade de perderem a boca rica que armaram.

Num Simpósio sobre Corrupção, havia uma afirmação de que o povo sabia quem eram os corruptos. Eles não tinham a menor ideia de onde tiraram essa certeza. Mas o povão brasileiro sabe perfeitamente quem são. As pesquisas mostram que 80% do povo detesta os políticos e os partidos.

Quando o Eduardo era candidato e a Marina vice, nunca passou de 10% dos votos apesar de ser um excelente administrador. Mas era político. Colocaram o Beto como vice. Como vice não tem atribuições, e pode ser esquecido. Ele compromete a candidatura da Marina e com esse pronunciamento de participante da reserva de mercado da corrupção política no Congresso, devia ser despedido, mas a lei eleitoral não permite.

Para o povão, político é ladrão, picareta e falso. O povo brasileiro vota no candidato, não no partido.

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