Sobre o Movimento Passe Livre

A análise dos movimentos sociais de junho mostrou que demanda específica só tinha a desoneração das passagens. A sociedade juntou-se ao Movimento do Passe Livre para dar um BASTA nos desmandos no país e exigir melhor educação, saúde, mobilidade urbana e menos corrupção.

Para alcançar resultados concretos é necessário ter demandas claras e específicas. Essa foi a razão de ter iniciado a conversão das análises da nossa economia contidas no meu livro em demandas para corrigir o que não está funcionando devidamente.

Todas as sociedades humanas evoluem continuamente e a velocidade dessa evolução é função do desenvolvimento do seu nível cultural, das orientações e decisões organizacionais sobre as culturas existentes. O Brasil tem a mesma idade dos Estados Unidos e condições econômicas semelhantes, mas nosso desenvolvimento foi atrasado devido a administrações mais equivocadas do que a deles.

Ao ler o site do MPL – Movimento Passe Livre, anotei algumas observações:

1. Os princípios enunciados pelo MPL estão perfeitos.  Sugiro cuidado com o uso do movimento MPL por outros movimentos sem qualquer vinculação. Ontem a TV informou que haviam grupos ligados a partidos políticos querendo usar o MPL. Também vi blackblocs de cabeça coberta promovendo desordem. Não sei o que pretendem os blackblocs,  mas ninguém faz nada de graça a menos que sejam psicopatas. Portanto devem estar sendo dirigidos e pagos por um comando central. A Constituição de 88, nos Direitos e Garantias Fundamentais (artigo 5º- IV) garante que é livre a manifestação do pensamento sendo vedado o anonimato, e que (no inciso XVI) todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo  apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.

Já foi medida pelas sondagens: a opinião de mais de 80% dos brasileiros é contra a violência e atos de depredação do patrimônio.

Se o MPL quiser manter seus princípios, terá de arranjar um jeito de manter os partidos que estão acesos para as eleições e os blackblocs que podem afastar o apoio da sociedade a eles como aconteceu em junho. Não duvido que grupos ligados ao próprio Governo fomente os blackblocs para tentar anular esses movimentos sociais. A polícia poderia prendê-los para identificação. Depois de identificados seriam liberados como manda a Constituição, mas o timing estaria perdido.

2. Perspectivas  Estratégicas.

a) o mundo aprendeu ao longo de gerações, que os Governos são péssimos administradores da coisa pública. Nos países mais eficientes, tudo é gerido ou administrado pela própria sociedade através de associações ou empresas privadas  com capitais próprios. Expropriar as empresas existentes sem indenização fere diretamente o artigo 5º da Constituição (inc. XXII, XXIII e XXIV). Já foi tentada essa solução há uns  80 anos atrás. É uma ação de simples roubo de propriedade alheia. Nos tempos dos piratas era regra. O mundo evoluiu e apagou essas ideias há muito tempo e nos anos recentes, garante a iniciativa privada como o maior fator de crescimento e desenvolvimento das sociedades. O MPL  tem todo o direito de insistir nessas ideias obsoletas, mas não contem com apoio maior da sociedade que hoje está mais informada e bem mais culta.

b) A ideia do MPL de se somar aos movimentos revolucionários que contestem a ordem vigente, é assunto no Brasil vivido durante gerações até ter conseguido afastar o Governo  Militar e estabelecer uma Constituinte livre de pressões que escreveu a Constituição de 88. Conseguiu-se um avanço social substancial, muito embora precise de ajustes. O Congresso tem alterado artigos e deixado de converter em lei dispositivos da mesma, mas foi tomado pelos partidos, alijando o povo das decisões da vida nesse país. O povo precisa voltar a sentar-se no Congresso expulsando de lá os picaretas. O Brasil aprendeu que revolução só leva a mais atraso. Nenhum país precisa de Governo como se entende hoje e sim de administradores competentes  que executem o que o povo no Congresso em consenso decidir.

c) O MPL deve lutar pela defesa da liberdade de manifestação, contra a repressão e criminalização dos movimentos sociais. Nesse sentido, lutar contra a própria repressão e criminalização de que tem sido alvo.

Obs – O MPL está coberto pela lei maior, a Constituição. Se alguma autoridade ameaçar os direitos previstos na mesma, pode ser alvo de medida judicial. Portanto, é necessário não usar máscaras, para eliminar a possibilidade de a autoridade policial reclamar do anonimato. Vale também evitar demonstrações violentas, como a de queimar as catracas. Chama bastante a atenção, mas pode ser classificada como não-pacífica. A ideia de pular ou passar por baixo das catracas um atrás do outro, é difícil de criminalizar, pois onde estão as provas? E é a ação que o povão mais gosta, pois estão indo às forras contra o mau atendimento dos serviços. Além disso, provoca um estrago nas finanças da empresa concessionária, que vai precisar resolver com o Governo. Essa é a estratégia mais contundente, pois corresponde a implantar uma “cabeça de praia” (termos da invasão da Normandia na Guerra) na estrutura do Governo. Será difícil de combater o MPL, se procurarem ficar dentro da lei e se tornará fácil de ampliarem o movimento para qualquer ponto.

d) transporte público pode ser gratuito para o povo, mas tem de ser pago à empresa o serviço realizado.  Como a administração pública paga de acordo com a estrutura que for estabelecida, precisa ser transparente para o povão. Se o serviço for bom deve ser mantido; se for ruim, deve ser substituído por empresa que trabalhe melhor. É assim que o mundo evoluído funciona, e funciona bem em quase todos os países do mundo. Aqui o Governo interfere, e é o caos que se vê em todos os lugares.

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